Paixão:
Vento avassalador que apaga a luz da razão,
E faz florir, de repente, uma flor
Antes despercebida no jardim.
É a primavera nos pegando sempre de surpresa,
Depois dos meses de inverno.
O inverno, porém, sempre volta
Frio e cinzento
Também volta de assalto, a razão
Depois que a chama se apaga
E a cálida primavera se vai,
O que resta
Chamamos amor.
Amor:
Todos sentem, ninguém entende – nem define.
Tantos amam, outros tantos, igualmente, não são amados
Faz parte da utopia humana.
O amor não é credor,
Não cobra
Não onera
Não troca
Não contrata
E, também, não existe.
Solidão:
É sentir-se só, mesmo entre tantos
É quando a tristeza dá um nó,
Um travo amargo na língua
E a noite de verão é fria, insone
Desfaz-se em prantos
Em uma manhã cinza de sol.
Solidão é a cura da vaidade
É sentir saudade
Mesmo daquilo que nunca se teve de verdade.
Saudade:
É estar, mesmo em pensamento, de volta ao mesmo lugar,
Preso no momento.
Semente solta no vento
Germina os campos da lembrança,
Cultivados pelos escravos do tempo
Que correm atrás da própria sombra
Daquele instante de felicidade
Que jaz, talvez em paz,
Sepultado para sempre em algum lugar do pensamento.
Carlos A. Santana.