quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Letras:

             “Os ratos”

Calado. Impotente. De braços amarrados. Com a dor de um grito trancado, preso na garganta. O gosto mais amargo, o travo mais bravo que a língua fora feita para suportar. Estampadas na cara, as lágrimas, apesar de não rolarem. Não molham a cara, nem lavam a alma. Mas estão ali. Ratos em suas gaiolas. Peixes no aquário, sob o olhar do gato. Todos acreditando serem livres, porém são dados caóticos de uma fórmula sem sentido, resolvida ao mero acaso. E tudo começa no parto. E tudo acaba no quarto. As marionetes do sádico seguem a dançar. Estão caladas. São impotentes. Esperam de braços amarrados na pior prisão: aquela onde não há parede. Os ratos estão fora da grade, porém correm para voltar para trás dela. Na falsa promessa da rotina. No falso conforto dos muros, que somente apartam os mundos: o dos que querem entrar, daqueles que querem tudo como está.

Carlos A. Santana.

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