domingo, 7 de agosto de 2011

A poesia é um espelho.

Entretanto.

Entre a luz e a escuridão
Entre o sentir e a razão
Entre a ciência e a poesia
Entre infelicidades, um pouco de alegria
Entre o movimento e a apatia
Entre o momento e o infinito
Entre feios e bonitos
Entre o raso e o profundo
Entre o sagrado e o mundo
Entre o desgraçado e o sortudo
Entre a cruz e a espada
Entre ter um pouco ou não ter nada
Entre a prostração e a risada
Entre a fé e a medicina
Entre a doença e a vacina
Entre o rico e o pobre
Entre o potável e o podre
Entre eles e elas
Entre palácios e favelas
Entre o real e a novela
Entre viver ou morrer
Entre duvidar ou crer
Entre o cristão e o pagão
Entre conhecer e ignorar
Entre partir e ficar
Entre permanecer ou mudar
Entre escolher ou esperar
Entre anjos e demônios
Entre a novidade e o cotidiano
Entre os fatos e os sonhos
Entre o verde e o castanho
Entre o normal e o estranho
Entre o azul e o vermelho
Entre a verdade e o espelho
Entre a repulsa e o desejo
Entre o que vê e o que vejo
Entre rios, entre meios
Entre a chuva e o sol
Entre vôlei e futebol
Entre o lírico e o popular
Entre os que cantam e os que desafinam
Entre os que nascem e os que findam
Entre o que cala e o que fala
Entre o grito e o silêncio
Entre os que esperam, não espero nada.
Entre elevadores, estou na escada
Entre aquele, entre este, entre tantos!
No entanto, de lado algum
Cozido e cru
Subjugado entre o que existe e o que não inventei
Desde que morri quantos matei?
Entre o capital e os comunistas
Sigo isento dos jornais e das revistas
Errante na terceira via
Estático na correria
Na corda bamba, com a corda no pescoço
Brigo com outros cachorros
Por meu próprio osso
Apanhando da policia e do bandido
Sem poste, sem penico
Com a latrina no ouvido
Figurante em meu próprio filme
Barrado na festa
Sem par no baile
Com “idiota” escrito na testa
Com mais palavras do que papel
Este sou eu.
Entretanto,
Sem Deus
Só.

Carlos A. Santana.

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